O futebol brasileiro é repleto de clássicos regionais, disputas que são verdadeiros campeonatos à parte, tais como o duelo no Sul entre Grêmio e Internacional, ou os clássicos paulistas, como Corinthians e Palmeiras ou São Paulo e Santos, entre outros pelo imenso país que é o Brasil. Porém, nenhum deles carrega a mística de um Flamengo e Fluminense, um Fla-Flu, imortalizado nas palavras de Mário Filho, jornalista que dá nome ao Estádio Maracanã, e de seu irmão declaradamente adepto do Fluminense, Nelson Rodrigues, autor de frases que foram imortalizadas na história do clássico, tais como, “O Fla-Flu começou quarenta minutos antes do nada".

É de um Fla-Flu, clássico disputado desde 1912, o recorde mundial de público de jogos entre clubes, com inacreditáveis 194.603 adeptos no Maracanã na final do Campeonato Carioca de 1963. Com tantos e tão ricos personagens nestes 107 anos de história, o clássico Fla-Flu foi apresentado ao mister Jorge Jesus, personagem que se mostrou à altura do místico duelo do futebol brasileiro.

O Flamengo, que iniciava a 27.ª jornada do Brasileirão com oito pontos de vantagem para o Palmeiras, segundo colocado, tinha de controlar e administrar a ansiedade, com os pensamentos voltados para depois de amanhã, quando enfrentará o Grêmio por uma vaga na tão almejada final da Taça Libertadores da América.

Sem poupar titulares, o que tem se tornado numa das marcas e Jesus neste Flamengo, o jogo foi um verdadeiro massacre de ataque rubro-negro contra uma acuada defesa tricolor. Gabriel perderia a primeira chance de golo para o Flamengo logo no primeiro ataque, valendo a intervenção do guarda-redes Muriel, ex-Belenenses. Mas logo depois, Bruno Henrique, de cabeça, abriu o marcador para a equipa que lidera o Brasileirão. Num jogo tão desproporcional, o Flamengo abusava de desperdiçar claras ocasiões de golo, com o Fluminense a responder uma única vez na primeira parte com o avançado colombiano Yony González, que quase marcou um belo golo num acrobático remate de bicicleta, mas a bola saiu ao lado.

Na segunda parte, mais do mesmo, com Muriel a negar outra vez um golo certo a Gabriel, que passou em branco na noite, algo raro neste ano. Até que ao minuto 66’, o jovem Reinier, prodígio lançado por Jesus na segunda parte, assistiu Gerson, que com calma e categoria rematou colocado, com a bola ainda a desviar no defesa adversário Gilberto antes de entrar. O 2-0 no marcador não refletiu o amplo domínio do Flamengo, que venceu mais uma no campeonato e aumentou sua já considerável vantagem de oito para dez pontos. Ao fim do jogo, Jesus chamou todos para o centro do relvado para as vénias aos adeptos da nação rubro-negra, que retribuiu o carinho aos gritos de ‘’olé, olé, olé, mister, mister”. Jorge Jesus foi batizado no Fla-Flu, e mais do que aprovado pela exigente massa rubro-negra, cada vez mais apaixonada por seu treinador.

O Palmeiras, segundo colocado, pressionado a cada jornada a encurtar a distância para o Flamengo, deslocou-se a um complicado terreno, a Arena da Baixada, em Curitiba, onde um organizado Athletico Paranaense tem dificultado a vida aos seus opoentes neste Brasileirão. E logo aos sete minutos de jogo, Marcelo Cirino respondeu para as redes, de cabeça, ao centro do lateral-esquerdo Adriano, ex-Barcelona.

O Palmeiras, que na última jornada sofreu até o último instante para derrotar o virtual rebaixado Chapecoense, conseguiu a igualdade ainda na primeira parte, após passe de Willian e remate de Deyverson, a antecipar-se ao guarda-redes adversário. Na etapa final, ao invés de um Palmeiras ofensivo e a lutar até o último minuto pela vitória, o que se viu foi uma equipa apática e que pareceu sentir que a luta pelo título está a cada jornada mais improvável, e com o empate a uma bola no Sul, o Palmeiras viu a vantagem do Flamengo de Jesus saltar para dez pontos, com mais 11 jornadas em disputa.

Nota de destaque também nesta jornada 27 do Brasileirão para mais uma derrota do Santos, desta feira para o Atlético Mineiro, em Belo Horizonte. Luan, a contar com uma desastrosa falha de cobertura do lateral adversário Jorge, ex-Porto, e o defesa-central Leonardo Silva, definiram o placar em 2-0 para os mineiros, que respiram mais aliviados na parte de baixo da tabela de classificação. Já o Santos, que durante boa parte da primeira volta era o líder incontestável do Brasileirão, perdeu fôlego e mantém-se estacionado no terceiro posto, à 13 pontos do Flamengo.

Com o título brasileiro bem encaminhado para Jorge Jesus e seus comandados, o grande teste passa a ser o duríssimo confronto entre Flamengo e Grêmio, pela segunda mão das meias de final da Libertadores. Após o empate em uma bola no início do mês em Porto Alegre, os olhos de todos os brasileiros estarão voltados para o Maracanã na próxima quarta-feira. Um jogo que pode mudar o patamar de Jesus na idolatria e na história do Flamengo.

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