Rui Machado, coordenador técnico nacional de ténis, acredita que, na semana em que voltou a abrir portas aos praticantes, a modalidade vai saber dar o exemplo à sociedade e rapidamente regressar à normalidade competitiva.

"Temos uma responsabilidade na sociedade e temos que saber respeitar todo este processo. Na verdade, o ténis é das modalidades melhor posicionadas para recomeçar a atividade competitiva. Isso vai decidir-se nos próximos tempos, mas, como comunidade grande que somos, com mais de 250 clubes, muitos atletas, temos de ter responsabilidade no regresso. Estou confiante de que vamos ser das primeiras modalidades a recomeçar", disse o antigo tenista em entrevista à agência Lusa.

Rui Machado revela que "o ténis tem sofrido muito" com a paragem ditada pela pandemia de covid-19, mas prefere destacar as pequenas conquistas de cada dia.

"Segunda-feira foi um dia muito feliz para o ténis nacional ao conseguirmos reabrir os clubes. Foi uma grande notícia para nós ter os clubes abertos para que as pessoas pratiquem a modalidade", frisa o técnico, que garante que o Centro de Alto Rendimento do Ténis, no Jamor, "não esteve parado".

"Foi feito um excelente trabalho e demos uma demonstração de que a comunidade do ténis tem uma grande capacidade de adaptação", sublinha.

Quanto à nova fase, em que os atletas estão de regresso às instalações para recomeçar a treinar, Rui Machado conta que os jogadores e treinadores começam já a mostrar-se "mais adaptados" à gestão no campo e que, embora haja medidas a seguir, estão longe de "ser impossíveis de implementar".

"São medidas simples e que vamos assimilar facilmente para que consigamos, como sociedade, sair desta crise”, completa.

A paragem foi longa e isso obriga a algum trabalho específico no regresso. Rui Machado foi um dos melhores tenistas portugueses da história e realça que manter os atletas motivados é uma das variáveis mais importantes deste processo.

"Foi uma paragem muito prolongada e isso faz com que tenhamos de programar de uma forma diferente. Temos muito tempo pela frente até à competição e temos de o saber gerir. É muito importante saber definir objetivos para manter os atletas motivados e comprometidos com o trabalho, porque eles também não estão habituados a treinar tanto tempo sem competição", salienta o também ‘capitão’ da seleção da Taça Davis, frisando a importância de evitar lesões neste recomeço.

Em relação à possibilidade avançada pela Federação Portuguesa de Ténis de criar uma competição que permita aos atletas recuperarem a forma e estarem melhor preparados para o regresso dos torneios internacionais, o coordenador técnico nacional considera essa possibilidade "uma excelente medida".

"O objetivo desses torneios é preparar os atletas. Estimamos que o circuito nacional possa começar antes do circuito internacional, porque não implica viagens, e a intenção é dar aos jogadores portugueses a oportunidade de ganharem ritmo competitivo, evoluírem o seu ténis e prepararem-se da melhor maneira para o regresso. É uma excelente medida", termina.

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