Tiger Woods voltou a vencer um torneio 'majors' de golfe, após 11 anos de espera e quatro operações às costas, que realizou entre 2014 e 2017. O golfista de 43 anos venceu o Master de Augusta, o seu quinto triunfo no torneio-norte-americano, elevando para 15 o número de triunfos em majors.

As imagens do fantástico triunfo de Tiger Woods

Um feito extraordinário de um atleta que já tinha sido dado como 'morto' para a modalidade. O triunfo de Tiger Woods foi destacado por grandes figuras da modalidade, como Jack Nicklaus e Phil Mickelson, mas também outros nomes como Barak Obama e Donald Trump.

Em Portugal, o Master de Augusta foi acompanhado com muito interesse por Ricardo Pereira, antigo guarda-redes do Sporting, Boavista, e da Seleção Nacional, ele que é um grande apaixonado pelo golfe. Em conversa telefónica com o SAPO Desporto, Ricardo Pereira destacou esse feito de alguém que transformou o golfe como a conhecemos.

"É como ganhar um Mundial de Futebol. É uma coisa extraordinária, que ultrapassa o só ganhar um torneio", começa por dizer.

"Depois de tudo o que ele, um dos melhores atletas da história, passou, voltar a ganhar novamente, acreditar naquilo que tinha a fazer, uma pessoa que há pouco tempo nem conseguia andar, é de uma dedicação, um espírito de sacrifício e de competitividade extremas. Ele tem de ser um exemplo nesse aspeto para toda a gente. Se fosse um jogador qualquer, seria um feito fantástico ganhar um torneio desta categoria. Mas por ser o Tiger a ganhar, é notícia porque é alguém que mexe com as emoções, não só com o desporto mas com muitos factores da nossa vida", explica.

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A reação do mundo do desporto ao triunfo de Woods no Master de Augusta mostra bem o que ele representa para o desporto mundial. A vitória tem ainda maior simbolismo por tudo aquilo que o norte-americano passou: viveu um escândalo de traições que levaram ao seu divórcio, foi apanhado a conduzir sob efeito de álcool, caiu em desgraça entre os seus pares, fez quatro operações às costas, entre 2014 e 2017, numa altura em que nem conseguia andar. Voltou para mostrar a si próprio o que ainda conseguia fazer, explica Ricardo, na conversa com o SAPO Desporto.

"Ele passou pelo pior da vida: foi desacreditado, enxovalhado, a ver especialistas da modalidade a insultarem-no, passou por coisas que as pessoas nem imaginam. É alguém que não tinha nada a provar, já tinha ganho tudo, era a pessoa que, pura e simplesmente, tinha mudado este desporto para uma coisa muito melhor. Podia ter saído de cena facilmente e ponto final. Mas continuou e bem e, como ele explicou, a querer caminhar, a querer brincar com os filhos, e, quando se dá por ele, está pronto a ganhar. E já ganhou. É uma coisa fantástica", sublinha Ricardo Pereira.

O passo seguinte será manter o alto nível do seu jogo e continuar a ganhar para, quem sabem, vencer em Augusta mais três vezes e igualar o feito de Jack Nicklaus, que ganhou este torneio norte-americano de golfe em oito ocasiões. O antigo guarda-redes do Sporting sublinha que este "é um desejo de quem gosta do jogador" mas que Tiger Woods não precisa de vencer mais para provar que é o melhor de sempre.

Ele passou pelo pior da vida: foi desacreditado, enxovalhado, a ver especialistas da modalidade a insultarem-no, passou por coisas que as pessoas nem imaginam.

"Adorava vê-lo ultrapassar, em termos numéricos de títulos, esse outro [n.d.r. Jack Nicklaus] que é um dos maiores jogadores da história, por tudo aquilo que fez, pelas dificuldades, por aquilo que deu ao golfe. Mas, para mim, não precisa de ultrapassar o Nicklaus para ser, no que considero ser um dos melhores de todos os tempos. Ganhar mais três 'majors' [para igualar Jack Nicklaus] parece fácil mas é uma coisa tão difícil. Mas acredito que vai continuar a ganhar. Não com a frequência que ganhava noutros tempos, porque a idade vai passando e os jogadores mais novos são cada vez melhores mas ganhar um 'master', dito por toda a gente entendida como um dos dos melhores, onde havia dez ou 20 candidatos a vencer facilmente, é fantástico, fabuloso", destaca Ricardo.

Depois de 'pendurar as luvas', Ricardo Pereira passou a dedicar mais tempo ao golfe, modalidade que começou a praticar quando era profissional de futebol. O antigo guardião da seleção das Quinas vai dando nas vistas em torneios onde intromete-se na luta com os profissionais, mas nem por isso pensa em deixar de ser amador. Ricardo Pereira explica que falta-lhe bases para enveredar nessa via porque se passasse a golfista profissional, seria para ganhar.

"Para me tornar profissional, não era para andar por aí a fazer número. Tinha de querer ter as bases para ganhar e não a tenho. Não joguei golfe desde cedo, não tenho as bases sólidas que todos os jogadores devem ter que é começar como se começa com o futebol, por exemplo, começar numa idade tenra, ter esse ritmo, passar por fases. Sou um apaixonado, considero-me um bom amador, mas nada mais que isso. Consigo competir com profissionais, adoro quando tenho essa possibilidade. Abraçar a parte profissional seria só por pura diversão", disse ao SAPO Desporto, lembrando-se que se sente bem como amador, onde lhe sobra mais tempo para outros momentos.

"Mas estou bem como amador, vou passeando com a família para aqui e para acolá, com os prémios dos torneios vou com os amigos para aqui e para acolá, algo que como profissional não iria conseguir", frisa.

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