Já foi há precisamente um ano e... um dia. Portugal subia ao topo mais alto da Europa do futsal, com a conquista do Euro frente a Espanha, a 10 de fevereiro de 2018. Na Eslovénia, o futsal de Portugal repetia a proeza alcançada pelo futebol, dois anos anos, em Paris,  e sagrava-se campeão da Europa. Ainda se lembra como foi? O drama da final? O prolongamento? A lesão do craque Ricardinho? (tal com aconteceu na final do Euro2016, com a lesão de Cristiano Ronaldo). A festa na Arena Stožice,  a apoteótica receção no Aeroporto de Lisboa? Sim, foi tudo muito bonito.

Jogo impróprio para cardíacos

Foi frente à eterna rival Espanha que Portugal alcançou o mais importante feito da história do futsal nacional. A partida não foi fácil, e foi apenas no prolongamento que a seleção lusa vergou 'nuestros hermanos', vencendo por 3-2.

O mágico Ricardinho foi uma das estrelas desse jogo. Ele que tantas vezes já tinha sido eleito Melhor Jogador de Futsal do Mundo e que já contava com inúmeros títulos por clubes, conseguiu, pela primeira vez, levantar um troféu com a seleção.

Em entrevista ao site da UEFA, o jogador do Inter Movistar recordou, com orgulho, esse histórico 10 de fevereiro de 2018.

"Não existe melhor lembrança do que essa – esses dez ou 20 segundos em que levantas o troféu e vês que finalmente conseguiste tocar o céu! Olhar à volta e ver as lágrimas dos meus companheiros, as minhas também a cair, os nossos adeptos e as famílias a chorar. Foram momentos que jamais vou esquecer". Sim, Ricardinho, não foste o único a chorar.

Apesar de não ser favorito a vencer, Portugal chegou a Eslovénia com o estatuto de candidato. Tinha o Melhor Jogador do Mundo nas suas fileiras (tal como a seleção de futebol no Euro2016), tinha um misto de juventude com veterania, tinha jogadores com larga experiência e um técnico que soube tirar o melhor dos seus pupilos em todos os momentos.

A caminhada até a final foi sofrida mas sólida. Portugal fez o pleno na fase de grupos (vitórias frente a Ucrânia por 5-3 e Roménia por 4-1), 'atropelou' o Cazaquistão nos quartos-de-final (8-1), sofreu para eliminar a Rússia nas meias (3-2), antes de marcar encontro com a Espanha na final. Espanha que tinha derrotado Portugal em 2010, na final do Europeu da Hungria (4-2). Era hora de 'vingança'.

Ao contrário de Portugal, que venceu todos os jogos até ao derradeiro encontro, a seleção de ‘nuestros hermanos’ sofreu e muito para atingir a final da competição em 2018. Empatou com França (4-4) e sofreu para bater o Azerbaijão (1-0) na fase de grupos, afastou a Ucrânia por 1-0 nos 'quartos', precisou dos penaltis para afastar o Cazaquistão, antes de marcar encontro com Portugal. Um caminhada difícil do principal favorito a vencer a prova.

Na final, perante mais de 10 mil pessoas no Arena Stozice, Portugal começou bem, com um golo prematuro de Ricardinho - tornou-se neste Europeu o melhor marcador de sempre em fases finais da prova, com 22 golos, e recebeu ainda o galardão de melhor jogador da competição. O jogador luso recuperou a bola à entrada da área e rematou sem hipóteses para Paco Sedano.

A festa portuguesa no Arena Stozice
A festa portuguesa no Arena Stozice créditos: Twitter/UEFA Futsal

Foi já na parte final do primeiro tempo que a seleção espanhola empatou o encontro. Pedro Cary demorou muito tempo a chegar à bola e Marc Tolrà conseguiu fazer um desvio subtil. O guarda-redes André Sousa ainda se esticou, mas não conseguiu evitar o golo.

Já no segundo tempo, os espanhóis deram a volta ao marcador com um golo de Lin. Miguelín aproveitou uma desatenção da equipa lusa e serviu o colega, que se encontrava completamente sozinho ao segundo poste.

A equipa de Jorge Braz não baixou os braços e foi já a um minuto e meio do final que Bruno Coelho apareceu solto à boca da baliza e com um toque acrobático, restabeleceu a igualdade.

No prolongamento, já com Ricardinho fora da quadra por lesão (lembram-se do Europeu de futebol? Cristiano Ronaldo saiu lesionado, Éder fez o Parque dos Príncipes ouvir ‘A Portuguesa’ no melhor momento desportivo de Portugal), Bruno Coelho fez história e bisou no encontro, na marcação de um livre direto no último minuto, e deu o primeiro título de futsal a Portugal. Uma caminhada 100 por cento vitoriosa.

Ricardinho eleito Melhor Jogador do Europeu
Ricardinho eleito Melhor Jogador do Europeu créditos: Twitter/UEFA Futsal

A apoteótica receção aos novos donos da Europa. Porque eles mereciam

Depois do título histórico, as reações vieram de todos os quadrantes. Presidente da RepúblicaPrimeiro-MinistroMinistro da Educaçãoclubes de futebol e até a imprensa espanhola deram os parabéns aos novos 'reis' da Europa.

O regresso a Portugal deu-se logo no dia seguinte. A comitiva portuguesa chegou ao aeroporto Humberto Delgado em Lisboa ao início da tarde de segunda-feira, 11 de fevereiro, e à sua espera estavam centenas de adeptos vestidos a rigor e com bandeiras de Portugal.

O hino foi entoado várias vezes até que a comitiva saiu pela porta de desembarque com o troféu conquistado, por volta das 14h05.

Assim que os novos heróis nacionais chegaram ao átrio principal do aeroporto houve uma explosão de alegria que não passou indiferente a ninguém.

A receção fantástica, que agradou e muito aos jogadores lusos, culminou cerca de um mês depois na condecoração dos campeões europeus de futsal com a Ordem de Mérito entregue pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, nos prémios Quinas de Ouro de 2018.

Agora é apontar baterias ao Mundial 2020 que decorre na Lituânia e tentar levantar um novo troféu. Portugal já lá está e é de novo candidato. Mas não favorito. Mas é preciso acreditar.

Há dois anos anos acreditamos e aconteceu. A Europa do futsal era nossa (e ainda é).

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