O basquetebolista da Oliveirense José Barbosa demorou quase dois meses a debelar uma peritonite e voltou a treinar em 09 de março, dois dias antes da pausa competitiva imposta pela pandemia de Covid-19.

“Para mim é um prolongar individual desta paragem longa, ao passo que os meus companheiros estavam com ritmo diferente. Estamos em casa, mas em contacto constante através de aplicações móveis. O nosso preparador físico tem trabalhado bem e, no final do dia, sinto-me cansado na mesma”, explicou o base à agência Lusa.

José Barbosa, de 29 anos, competia pela quarta época consecutiva ao serviço dos bicampeões nacionais, quartos classificados do campeonato, com 36 pontos, a sete do líder Sporting, mas a propagação do novo coronavírus levou a Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) a interromper todas as competições na quarta-feira.

“As primeiras impressões têm sido um pouco estranhas e desafiantes. As atividades que fazíamos no pavilhão são as mesmas que podemos fazer em casa, utilizando bandas de resistência ou bolas medicinais. Aliás, é possível fazer exercícios de igual ou maior intensidade face a um ginásio com máquinas de musculação”, comparou.

Além do trabalho isolado num quarto, o internacional luso, que aporta médias de 6,13 pontos, 2,53 ressaltos e 5,93 assistências por encontro na Liga, corre todas as manhãs num parque junto à sua zona residencial e lida com “pequenos ajustes” no plano nutricional individualizado promovido pela Oliveirense ao longo da temporada.

“Se antes poderíamos cometer alguns excessos, que se dissipavam com a competição, neste momento deixámos de ter aquela intensidade diária para contrabalançar. Por mais que trabalhe em casa e descanse o corpo, um treino ou um jogo desgasta mais, sobretudo devido à adrenalina, coisa que jamais se consegue em casa”, sustentou.

Face ao recente quadro clínico, que desinflamou com cirurgia a parede interior do abdómen e dos órgãos abdominais, o contacto com bola ainda “não é significativo” para José Barbosa, ao contrário do restante plantel, que mantém os cinco atletas estrangeiros em solo nacional e ainda não agendou data de regresso às quadras.

“Se garantissem que este vírus nos condicionaria até um, dois ou três meses, poderíamos ajustar as expectativas a esse prazo, mas incomoda-nos a incerteza e o quão assustador isto poderá ser. Estava ‘mortinho’ para voltar e espero que a época não fique por aqui, acreditando plenamente que vou voltar a jogar basquetebol na minha vida”, afiançou.

Nascido e criado em Oliveira de Azeméis, o ex-jogador da Ovarense tem pai e irmão a laborar no Grupo Simoldes, líder europeu no fabrico de moldes para a indústria automóvel, que ali emprega metade dos 6.000 colaboradores e confirmou um caso de infeção por Covid-19 na sexta-feira, forçando 50 membros ao isolamento.

“Os meus permanecem estáveis e não estão em quarentena, mas a empresa pondera fechar em breve e limpar as fábricas todas, muito suscetíveis a contágios. Estou receoso que o número dispare bastante, pois é uma empresa bastante grande para o tamanho da cidade e grande parte das famílias oliveirenses tem pessoas a trabalhar ali”, descreveu.

Sem imaginar quando a normalidade será reposta, José Barbosa avisa que a pausa prolongada pode “deixar marcas” no basquetebol nacional e “adiar a definição das vidas pessoais”, pois há “muitos atletas” a findar contrato no verão, os clubes mantêm um rumo “incerto” e a federação terá “pressa” em reagendar e concluir todas as provas.

“Dependerá tudo do tempo de paragem: uma semana ou duas são necessárias e suficientes para retomar a competição a todo o gás. Se for mais do que isso, será demasiado violento recomeçar logo na semana a seguir e terá de ser feita uma mini pré-época”, defendeu o vencedor da Taça Hugo dos Santos e finalista derrotado da Supertaça.

Elogiando a “medida exemplar” executada pela FPB, assente no “objetivo primário” de proteger a saúde pública, José Barbosa espera que a mensagem seja repercutida a nível governamental, sob pena de “fecharem-se vários setores aos poucos” e perder-se rasto às cadeias de transmissão ativas responsáveis pelos 331 casos da Covid-19 em Portugal.

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