Quase sem se encontrarem em campo, Alfredo Quintana e Fábio Magalhães foram os melhores no histórico triunfo (35-25) sobre a Suécia e dissecaram hoje o sistema atacante ‘sete contra seis' com que Portugal surpreendeu no Euro2020 de andebol.

"Muitas vezes chego ao banco e pergunto como foi o golo porque nem sequer o vejo. Quando o ponta ou o lateral direito está a rematar já estou a correr para trás, de costas para a baliza e só vejo pela reação dos meus colegas se foi golo ou não. Perco muitos golos do jogo e tenho de os ver na televisão", comentou, com um sorriso, Fábio Magalhães.

O lateral esquerdo foi considerado pelo selecionador português, Paulo Pereira, um jogador fundamental na utilização do sistema ‘sete contra seis', com que a equipa nacional jogou durante toda a segunda parte do jogo de estreia no Grupo II da ronda principal, perante a total incapacidade da Suécia para o contrariar.

"Quando começámos a fazer ‘sete contra seis' no FC Porto tomei o papel da primeira decisão e tem corrido muito bem, tanto no clube como na seleção. Já está tão oleado", explicou Fábio Magalhães, em Malmö, cidade sueca onde Portugal vai defrontar no domingo a Islândia, a partir das 14:00 (13:00 em Lisboa).

O sistema tático ‘sete contra seis' implica a saída do guarda-redes da equipa que tem a posse de bola, a qual, dessa forma, passa a atacar com sete jogadores, contra seis defesas do adversário, tendo a vantagem de poder finalizar muitas vezes sem oposição, mas também a baliza completamente desprotegida.

"É uma responsabilidade acrescida, porque sabemos que se falharmos um passe ou um remate isso pode ser fatal. É por isso que temos de ter muita paciência, disciplina e tentar encontrar a melhor solução para finalizar. Com a Suécia estivemos muito eficazes e conseguimos sempre deixar o guarda-redes entrar com tempo de chegar à baliza", notou.

Após a equipa marcar golo ou perder a bola, Fábio Magalhães tem de sair o mais rapidamente possível e o guarda-redes Alfredo Quintana reconheceu que o formato o "obriga a correr muito mais" e estar no banco de suplentes com atenção redobrada, mas essas dificuldades são minimizadas porque "o Fábio toma sempre as melhores decisões".

"Por isso temos tido este sucesso. Ainda bem que na seleção e no FC Porto está a resultar tão bem. É um sistema fantástico e, se funciona bem, tem de se adotado", reforçou Quintana, que não gostaria de estar na ‘pele' do guarda-redes adversário, pois "vai quase sempre enfrentar um jogador a rematar sem oposição".

O guardião luso cubano, que foi designado pela organização o jogador mais valioso do jogo com a vice-campeã europeia, perspetivou um "jogo muito complicado" com a Islândia, uma vez que "nesta fase da prova já só estão presentes grandes seleções".

"É um jogo diferente, mas de certeza que a Islândia vai ver 1.000 vezes [a partida entre Portugal e Suécia] para se preparar para esse tipo de jogo. Se for possível não o utilizar ainda melhor, porque é sinal que estamos bem no jogo e a ganhar", observou Fábio Magalhães.

O lateral esquerdo não pensa que as seleções presentes no Campeonato da Europa desconhecessem o ‘sete contra seis' português, simplesmente considera que se trata de um modelo difícil de contrariar: "Os sete jogadores que estão a atacar podem finalizar e por isso não é fácil assumir uma estratégia defensiva", sustentou.

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