O sueco Martin Pringle admitiu hoje que quando chegou ao Benfica, em 1996, percebeu que "não era assim tão bom futebolista", mas confessou que a passagem pela Luz foi "maravilhosa" e que lhe abriu as portas de Inglaterra.

O antigo avançado, atualmente com 49 anos, concedeu uma entrevista ao jornal sueco Aftonbladet, na qual abordou as duas temporadas e meia em que representou os ‘encarnados', depois de ter sido contratado ao Helsingborgs, no verão de 1996.

"Em pouco mais de dois anos, passei do Stenungsunds IF [uma equipa modesta na Suécia] para o Benfica. Isso levou-me a pensar que eu era, de facto, muito bom jogador, mas, quando cheguei ao Benfica, rapidamente percebi que não era assim tão bom", começou por dizer Pringle.

Se "para o padrão sueco" o longilíneo avançado (1,90 metros) "era um jogador tecnicamente bom", quando ‘aterrou' na Luz rapidamente se apercebeu da "enorme diferença" para os companheiros.

"Eu nem sequer conseguia dar dois toques seguidos numa bola, mesmo que estivesse presa a um cordão. Havia uma diferença enorme entre mim e eles. Percebi o quão bons eram os jogadores de topo e eu estava muito longe desse patamar", recordou o agora treinador, confessando que "foi doloroso, mas, por outro lado, também foi maravilhoso".

"Maravilhoso", segundo Pringle, porque a passagem pelo Benfica abriu-lhe as portas de Inglaterra, para onde foi jogar a meio da temporada 1998/99, no Charlton, emblema que, nessa altura, disputava a ‘Premier League'.

"Só posso agradecer o tempo que passei no Benfica, porque permitiu-me ir jogar para Inglaterra depois. Nunca teria ido diretamente da Suécia para Inglaterra. Em Portugal, melhorei mesmo muito tecnicamente", disse.

Apesar de ter iniciado a época 1998/99 como titular do Benfica, inclusive marcando um golo ao Beira-Mar (3-0), Martin Pringle acabou por ser relegado nas escolhas do escocês Graeme Souness, perdendo ainda mais espaço no plantel em dezembro de 1998, quando as ‘águias' contrataram o galês Dean Saunders e o então internacional português Jorge Cadete.

"O Benfica vendeu o Brian Deane ao Middlesbrough e o treinador, Graeme Souness, contratou o Dean Saunders, um jogador que ele contratava para todos os clubes que treinava. Ao mesmo tempo, o presidente [João Vale e Azevedo] ainda foi buscar o Jorge Cadete. No plantel, ainda havia o Nuno Gomes, que estava em ascensão, e a grande estrela da equipa, o João Pinto. Depois de tanto me esforçar, passei de primeira para quinta opção", contou ao Aftonbladet.

Nas duas épocas e meia em que esteve ao serviço do Benfica, Martin Pringle somou 35 jogos oficiais e oito golos pelos ‘encarnados'. Seguiram-se quatro temporadas no Charlton, antes de encerrar a carreira no Grimsby Town, em 2002.

Desde então, enveredou pela carreira de treinador, acumulando experiências no futebol masculino e feminino na Suécia, bem como no Copenhaga, da Dinamarca.

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