Na conversa com os jornalistas realizada quinta-feira no Seixal, Bruno Lage foi questionado sobre como vai lidar com a fama agora que foi campeão nacional. O treinador do Benfica disse que vai meter um bigode para que ninguém o conheça.

"Agora vou de férias, voltar à minha vida comum, de óculos, chapéu e vou ter de meter um bigode para ninguém me conhecer. Gostava muito de que isso pudesse ser possível. Represento o Benfica, enquanto aqui estiver estou disponível para tudo, mas há um momento que é muito importante que é estar com a família. Quando procuram o treinador do Benfica eu tiro as fotografias e dou autógrafos todos, mas quando estou com a minha família, gostava que fosse respeitado, na nossa normalidade, no nosso cafezinho do costume", afirmou.

Instado a dizer como se define numa palavra, o treinador do Benfica diz ser um "homem comum".

"O meu maior receio era o da comunicação. E eu até pensava que era uma lacuna que tinha. Por isso, meti na cabeça que tinha de ser como sou, ser verdadeiro, dizer aquilo que nós íamos sentindo, explicar as coisas como elas são, independentemente de estarmos a passar por um bom ou mau momento. Tenho aprendido muito, sobretudo na forma como dizemos as coisas. E ainda tenho muito a aprender nesse aspeto. Procuro falar como se estivesse com os meus amigos, como sabem sou de Setúbal e falo um pouco como os setubalenses: como um bocadinho as palavras, meto o calão, às vezes sai-me um gajo, mas sou como sou e é isso que quero passar", disse, antes de acrescentar.

"Sou um homem comum, mas que tiro um enorme prazer de fazer o meu trabalho, mas com equilíbrio porque não se pode permitir tudo", atirou.

O setubalense recordou ainda todo o seu percurso dos juniores aos iniciados do Benfica, a experiência no Dubai, na Premier League e o regresso ao clube da Luz.

"Para quem, como eu, leva a vida jogo a jogo, primeiro temos de chegar a uma final. Quando cheguei aos 30 anos era treinador de juniores, depois de fazer todo o percurso na formação, mas depois o meu caminho foi voltar aos iniciados e pensei que iria voltar a fazer o mesmo caminho mas iria fazer com que os jovens não tivessem as lacunas que encontrei nos juniores. Aos 35 anos, houve uma situação inesperada que senti que tinha de sair. O presidente não queria que eu saísse, mas acabei por ir. Fui para o Dubai, algo que não tinha previsto. E a partir daí decidi que era preciso viver com tranquilidade sem idealizar caminhos. Temos de nos concentrar no que temos de fazer. Para chegar a isso, temos de chegar a uma final e para isso é preciso correr com o tempo", concluiu.

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