Bruno de Carvalho é suspeito de estar envolvido nos ataques à Academia do Sporting em Alcochete, a 15 de maio de 2018, quando um grupo de cerca de 50 adeptos leoninos atacaram jogadores, staff técnico e médico da equipa principal de futebol do clube, avança ABola.

Escreve o jornal ABola na sua edição desta quarta-feira que o antigo presidente do Sporting, destituído em setembro deste ano, viu rejeitado o pedido para ser assistente no processo. O Juiz de Instrução do Barreiro justificou esta rejeição com o facto de tal poder vir a colidir com a investigação. Escreve ABola mas também o Correio da Manhã que esta rejeição pode indicar que  antigo presidente do Sporting está no grupo de suspeitos do ataque a Academia do clube.

Esta terça-feira foi detido Bruno Jacinto, funcionário do Sporting, ele que tinha as funções de Oficial de Ligação aos Adeptos, escreve ainda o mesmo jornal. Conhecido também por Bruno Mala, o Oficial de Ligação aos adeptos é um antigo membro da claque Juventude Leonina, grupo que deixou em 2002 para fundar outro de apoio ao Sporting: o Diretivo Ultras XXI. Voltou depois a Juve Leo e tornou-se, mais tarde, funcionário do Sporting quando Francisco Geraldes, que era o antigo Oficial de Ligação aos Adeptos, deixou o cargo para ser, primeiro, diretor do departamento de apoio a equipa e, depois, 'team manager' da equipa principal.

De acordo com o referido jornal, Bruno Jacinto terá tido conhecimento prévio do crime do dia 15 de maio. O ex- OLA (Oficial de Ligação aos Adeptos) do Sporting (apurou ABola que foi despedido na 2.ª feira, um dia antes de ser preso pela GNR) terá auxiliado alguns dos 50 adeptos que atacaram a Academia a fugirem no tal BMW que entrou na Academia depois do ataque para levar alguns dos adeptos que atacaram jogadores, técnicos e médicos.

Diz o jornal que Bruno Paixão terá chegado a Academia logo após a invasão, evitando assim que o grupo de líderes fosse preso. Entre os ocupantes que saíram no BMW estava Fernando Mendes, ex-líder da Juve Leo, entretanto detido pela GNR.

De recordar que os jogadores que rescindiram, alegaram que Bruno de Carvalho eram um dos responsáveis pela invasão a Alcochete, por ter criado um ambiente tenso entre jogadores e adeptos, pelas constantes críticas públicas aos jogadores. Bruno de Carvalho foi destituído de presidente pelos sócios a 23 de junho, na sequência do ataque a Academia. De recordar que o presidente começou por desvalorizar o sucedido, afirmando que o crime faz parte do dia a dia e que a vida tinha de continuar. Mais tarde culpou Rui Patrício pela invasão a Alcochete.

O antigo líder leonino acabou mesmo por ser expulso do Sporting pela Comissão de Gestão do clube, nomeado pela Mesa da Assembleia-Geral, liderado por Marta Soares, logo após aos acontecimentos de Alcochete. Tentou candidatar-se às eleições de setembro mas foi-lhe negada essa vontade. As eleições foram ganhas por Frederico Varandas, antigo responsável pelo departamento médico do clube.

No total, estão em prisão preventiva 37 arguidos, dos quais 23 foram detidos no dia dos acontecimentos, 15 de maio, e os restantes em junho e julho. Entre eles, está o antigo líder da claque Juventude Leonina Fernando Mendes.

No dia 15 de maio deste ano, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na Academia do clube, em Alcochete, por um grupo de cerca de 40 alegados adeptos encapuzados, que agrediram alguns jogadores, treinadores e ‘staff’. São suspeitos de vários crimes, entre os quais terrorismo, ofensa à integridade física qualificada, ameaça agravada, sequestro e dano com violência.

Na sequência do ataque à academia, nove futebolistas rescindiram os contratos com o clube.

Rui Patrício, Rafael Leão, Daniel Podence, Gelson Martins e Ruben Ribeiro saíram em litígio com o Sporting e transferiram-se para outros clubes.

Bas Dost, Bruno Fernandes e Rodrigo Battaglia voltaram atrás na decisão de abandonar o Sporting, enquanto William Carvalho saiu para o Betis, de Espanha, após acordo do clube espanhol com os 'leões'.

Já no início deste mês, o Tribunal da Relação de Lisboa manteve em prisão preventiva oito dos suspeitos do ataque, revelou a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa.

O Tribunal da Relação de Lisboa ainda tem de pronunciar-se sobre os restantes recursos interpostos pela maioria dos detidos neste processo.

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