A dispersão de jogos da I Liga de futebol ao longo da semana pode originar “situações perigosas”, mas é “uma necessidade” dos clubes e das televisões, admitiu hoje o presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF).

Em declarações à agência Lusa, José Pereira mostrou-se preocupado por haver “muitos jogos em que se conhecem os resultados anteriores”, o que pode “alterar comportamentos numa fase em que se caminha para o final do campeonato”, mas assumiu que os treinadores, neste momento, não podem esperar "boas medidas”.

“Naturalmente, não é benéfico, mas compreendemos. É uma necessidade que os clubes têm para terminar o campeonato e ir buscar as verbas das televisões e também deve ter a ver com a utilização dos estádios. Assumindo que nem todos estão preparados para receber jogos, é natural que alguns tenham de ser repetidos e, portanto, há essa necessidade também”, analisou o líder da ANTF.

A diretora executiva da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Sónia Carneiro, afirmou na terça-feira, em entrevista à Rádio Renascença, que haverá futebol “de segunda a domingo, exceto em alguns dias de julho em que não será possível”, de forma a terminar o campeonato até 26 de julho, após a interrupção devido à pandemia de covid-19.

Mas apesar de as equipas poderem responder de “forma diferente em termos físicos” à realização de vários jogos com um intervalo de apenas três ou quatro dias, a decisão não vai provocar “grandes alterações estratégicas”, no entender de José Pereira.

“As equipas hoje têm um manancial de informação e observação ‘in loco’ que não vejo que sejam prejudicadas por causa disso. Estamos na ponta final, os jogadores são os mesmos e quase todas treinaram nos mesmos moldes, como acontece no princípio da época, apesar de aí poderem fazer jogos particulares”, advertiu.

Quanto à possibilidade de virem a ser autorizadas cinco substituições, em vez de três, nas jornadas que faltam disputar, José Pereira lembrou que essa é “uma ideia que os treinadores discutem há muito tempo” e à qual se mostrou favorável “desde que não sirva para queimar tempo”.

“Se será bom ou mau, é discutível. As substituições são como os melões, só depois de abrir é que se conhece o fruto. Às vezes fazemos uma substituição e não resulta, outras resultam significativamente. É verdade que [com cinco substituições] metade da equipa pode ser trocada ao intervalo, mas, se é positivo ou negativo, depende de como cada um utiliza essa ferramenta”, frisou.

Por fim, o líder da ANTF admitiu que ocorram menos ‘chicotadas psicológicas’ na reta final do campeonato, dada a situação atípica que se vive atualmente e defendeu que os clubes “têm de ter juízo” para dar estabilidade às suas equipas para terem “o melhor desempenho possível” nesta fase.

“Atrever-me-ia a dizer que isso seria uma burrice. Não há assim tantas equipas a lutar por um lugar na tabela. Algumas lutam pela despromoção, duas pelo título e umas três ou quatro pelas competições europeias”, justificou.

Após a declaração de pandemia, em 11 de março, as competições desportivas de quase todas as modalidades foram disputadas sem público, adiadas - Jogos Olímpicos Tóquio2020, Euro2020 e Copa América -, suspensas, nos casos dos campeonatos nacionais e provas internacionais, ou mesmo canceladas.

Os campeonatos de futebol de França, Países Baixos, Bélgica e Escócia foram cancelados, enquanto outros países preparam o regresso à competição, com fortes restrições, como sucede em Inglaterra, Itália, Espanha e Portugal, que tem o reinício da I Liga previsto para 04 de junho, depois de a Liga alemã ter sido retomada no sábado.

Falta disputar um total de 90 jogos do principal escalão do futebol nacional, o único que não foi cancelado devido ao novo coronavírus, assim como a final da Taça de Portugal, entre Benfica e FC Porto.

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