13h39, minuto 54 no London Stadium (casa do West Ham United) Gabriel Jesus faz o terceiro golo do Manchester City, começam os festejos, mas nos ecrãs do estádio aparece um novo interveniente: o golo está a ser analisado pelo VAR.

Foi a primeira vez na história da Premier League que tal aconteceu, depois de dois anos em que a liga inglesa andou a analisar outras competições onde a tecnologia já era utilizada e a forma como resultava.

A Liga Inglesa não descurou qualquer pormenor e passou o verão em ações de formação de jogadores, técnicos e meios de comunicação para que todos soubessem como iria funcionar o sistema.

Ainda assim, houve alguma estranheza no primeiro fim de semana da competição, que viu três decisões dos árbitros de campo serem corrigidas em Stockley Park, o “quartel general” do vídeo-árbitro.

No West Ham-Manchester City, o golo de Gabriel Jesus (que seria o 0-3) foi anulado por fora de jogo de Sterling, autor do passe para o brasileiro. Um fora de jogo descoberto graças à utilização pelo VAR da linha de fora de jogo em 3D que descobriu que o ombro do jogador inglês estava três milímetros adiantado em relação ao último defensor. Foi também graças a indicação do VAR que Mike Dean, juiz do encontro, ordenou a repetição da marcação do penalty que deu o 0-4 para o City, depois de o guarda-redes do West Ham ter saído da linha de baliza na primeira tentativa, algo que não é permitido pelas novas leis do jogo. Além disso, há também um adiantamento de Declan Rice, médio do West Ham que entrou na área antes do primeiro remate de Aguero, que Fabianski tinha defendido.

West Ham-Manchester City: golo anulado pelo VAR por fora-de-jogo de três milímetros
West Ham-Manchester City: golo anulado pelo VAR por fora-de-jogo de três milímetros

Após os 90 minutos, Pep Guardiola afirmou que com o VAR a dinâmica do jogo vai ser alterada tanto para as equipas como para os espectadores e que a intensidade e a paixão talvez saíssem a perder. Contudo, o treinador do City foi um dos grandes defensores da introdução do VAR nos últimos anos, incluindo quando perdeu o acesso à final da última liga dos campeões com um golo anulado aos citizens no último instante contra o Tottenham.
Já no Leicester-Wolves, foi a vez do VAR dar um dissabor a Nuno Espírito Santo.

O treinador português viu o golo que lhe daria os três pontos ser anulado por bola na mão. No final do jogo, NES não estava satisfeito com a atuação do VAR: “Há seis meses era golo. Depois, temos o tempo de paragem por causa do VAR. Acho que foram dois minutos. Nós celebrámos e depois os adeptos do Leicester celebraram por não ter sido golo. Este não é espírito do jogo”, reclamou.

Mas em outubro de 2018 o treinador português afirmava que estava pronto para a entrada do VAR na Premier League depois de uma derrota conta o Brighton, num golo onde terá havido bola na mão. Na altura, Nuno Espírito Santo disse que o VAR seria bem-vindo à Premier League.

No final da jornada, o balanço feito por Chris Foy, ex-árbitro da Premier League e membro da equipa de implementação do sistema é perentório: “Se correu bem? Como disse o Raheem Sterling depois do jogo do Manchester City, se estamos a tomar decisões corretas só pode ser uma coisa boa”, analisou.

Mais uma vez, a liga inglesa inova e torna o VAR mais próximo do público, mostrando as imagens com a explicação do que levou à decisão final (algo que não acontece na liga portuguesa, por exemplo) bem como a utilização da tecnologia 3D que permite analisar situações ao milímetro. Tudo a bem da verdade desportiva.

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