Todas as 'fichas' do multimilionário Manchester City estão depositadas na Liga dos Campeões. O investimento do City Football Group (faz parte do Abu Dhabi United Group, criado pelo xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan), dos Emirados Árabes Unidos, no emblema de Manchester desde 2008 tem como objetivo principal vencer a prova milionária da UEFA. Foi assim que em 2016, o dono da equipa, Khaldoon Al Mubarak, foi buscar Pep Guardiola ao Bayern Munique para dar sequência ao sonho de conquistar a 'orelhuda'.

De lá para cá, o clube investiu centenas de milhões de euros em reforços sonantes para dar ao catalão as melhores ferramentas para atingir os objetivos. Apesar disso, o melhor que conseguiu foram dois quartos de final, perdidas para o Tottenham na época passada (critério de golos fora) e para o Liverpool em 2017/2018. Na época anterior, o City de Guardiola foi afastado pelo Mónaco de Leonardo Jardim, outra vez no critério dos golos fora.

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Esta temporada, com o título da Premier League a ficar nas mãos do super Liverpool, o City tem na Liga dos Campeões uma oportunidade para salvar uma época que pode ser negativa. É certo que a equipa venceu a Supertaça de Inglaterra e a Taça da Liga mas falhou o acesso à final da Taça de Inglaterra (eliminado pelo Arsenal de Arteta, ex-adjunto de Guardiola) e ficou a 18 pontos do Liverpool.

Fase de grupos tranquila

O City é, a par do Bayern Munique (só vitórias) e do Barcelona (cinco vitórias, três empates) as únicas equipas que ainda não perderam nesta edição da Liga dos Campeões. Os homens de Guardiola venceram seis dos oito jogos disputados, tendo empatado em duas ocasiões, na fase de grupos.

À primeira vista, podia-se dizer que o Manchester City tinha calhado num grupo fácil. Sem 'tubarões', a formação de Pep Guardiola tinha pela frente a Atalanta de Itália, o Shakhtar Donetsk da Ucrânia e o Dinamo de Zagreb, no grupo C.

Manchester City-Shakhtar Donetsk
Manchester City-Shakhtar Donetsk créditos: @Sergei SUPINSKY / AFP)

A facilidade com que venceu os três primeiros encontros deixava antever um 'passeio' mas nem tudo foi fácil. A campanha começou com uma vitória por 3-0 sobre o Shakhtar do português Luís Castro em Kharkiv, no Metalist Oblast Sports Complex (Mahrez, Gundogan e Gabriel Jesus fizeram os golos), a que se seguiu novo triunfo, agora em casa, por 2-0 (Sterling e Foden marcaram), frente ao Dinamo Zagreb, num encontro onde os números finais não traduziram o domínio dos ingleses.

A goleada por 5-1 frente a Atalanta (bis de Aguero e hat-trick de Sterling) deixava tudo bem encaminhado mas os empates seguintes com Atalanta (golo de Sterling) fora e Shakhtar Donetsk (marcou Gundogan) em casa (ambos 1-1) deixavam Guardiola em estado de alerta. Era preciso concentração em todos os momentos. A campanha foi fechada com uma goleada por 4-1 na Croácia frente ao Dinamo Zagreb, com um hat-trick de Gabriel Jesus e outro golo de Phill Foden.

Poderoso Real Madrid ao tapete

O primeiro grande teste para este City de Guardiola chegaria nos oitavos de final, frente ao poderoso Real Madrid, de Zidane, técnico que nunca perdera uma eliminatória na Champions (tinha vencido todas as nove anteriores eliminatórias  disputadas como treinador). Mas se há treinador especialista em vencer os merengues é Pep Guardiola.

Antes de a COVID-19 parar o mundo, os 'citizens' foram até Madrid vencer por 2-1, num jogo onde até estiveram a perder. Gabriel Jesus e Kevin de Bruyne deram expressão ao domínio tático da equipa de Guardiola. O catalão mostrava mais uma vez a sua superioridade no Bernabéu, onde venceu seis dos nove jogos aí disputados (empatou dois e só perdeu um). Nenhum técnico venceu tantas vezes na casa do Real Madrid como o catalão.

A passagem para Lisboa foi garantida no jogo da segunda-mão, jogada já sem público no Etihad, com o mesmo resultado da primeira mão: 2-1, agora com golos de Sterling e Gabriel Jesus.

Nos dois jogos com o Real Madrid, ficou patente a preparação, até ao pormenor, dos encontros por parte de Guardiola, mas a equipa continua a pecar muito na finalização.

Liga dos Campeões
Real Madrid 1-2 Manchester City créditos: EPA/RODRIGO JIMENEZ

Na equipa inglesa jogam os portugueses Bernardo Silva e João Cancelo. O primeiro deixou de ser indiscutível e passou a maior parte da época no banco, embora fosse sempre uma das primeiras opções de Guardiola a partir do banco. Participou em 52 jogos e fez oito golos. Cancelo, que chegou no início da época, participou em 32 encontros até agora e conta com um golo marcado.

Esta 65.ª edição da prova, atípica por não haver os jogos a duas mãos como habitualmente, sem público e jogado apenas numa cidade (Lisboa), tem tudo para produzir um campeão inédito. Das oito equipas nos quartos de final, apenas Barcelona e Bayern Munique, com cinco triunfos cada, já venceram a prova. Bávaros e catalãs vão medir forças, pelo que só um campeão estará nas meias finais.

Apostas: City é favorito a vencer a Liga dos Campeões

Dos treinadores presentes, Pep Guardiola é o único que sabe o que é vencer o troféu a partir do banco. Se conseguir guiar o City até ao triunfo final, chegará aos três troféus, igualando assim os recordes de Paisley, Ancelotti e Zidane, que venceram a prova em três ocasiões. Guardiola é também o único treinador presente a vencer a prova como jogador (em 1992, no Barcelona de Cruyff).

Nos quartos de final o Manchester City enfrentará o Lyon, equipa que afastou a Juventus, de Cristiano Ronaldo, no critério de golos fora. A formação francesa sabe o que é vencer os 'citizens', já que na época passada roubaram quatro pontos à equipa de Guardiola, tendo até ganho no Ethiad por 2-1.

O Manchester City-Lyon está marcado para às 20h00 do dia 15 de agosto, em Alvalade e pode ser acompanhado, como sempre, no SAPO Desporto.

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