Marcos Llorente entrou para a história do Atlético Madrid ao saltar do banco e marcar dois dos três golos dos 'colchoneros' em Anfield, na vitória por 3-2 frente ao Liverpool. O jogo só foi decidido no prolongamento, onde emergiu o médio defensivo, lançado em jogo aos 56 minutos no lugar de Diego Costa, numa substituição que parecia ser defensiva. João Félix assistiu o médio para o 1-2 aos 96 minutos, dois minutos depois de Firmino ter colocado o campeão europeu na frente da eliminatória pela primeira vez, aos 94. Antes, Georginio Wijnaldum tinha empatado a eliminatória aos 43 minutos, ao fazer o 1-0. Llorente empatou aos 105, Morata fez o 3-2 aos 120.

Destaque também para Oblak, autor de várias defesas fantásticas. O Liverpool foi melhor, criou mais oportunidades de golo mas a eficácia 'colchonera' fez a diferença. O campeão europeu e mundial está fora da 'Champions'.

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Gegenpress vs Cholo style: correr, correr, pressionar, pressionar

Ambiente infernal em Anfield, com os mais de 50 mil adeptos do Liverpool 'empurrar' os 'reds' para a remontada que se esperava, rumo a revalidação do título de campeão europeu. Os da cidade dos Beatles 'vestiram' seu melhor fato de gala (com o tridente ofensivo formado por Salah, Mané e Firmino), 'cerraram os dentes' e começaram a correr e a pressionar que nem loucos os 'colchoneros'. O 'Gegenpress' do alemão estendia-se pelos 110x75 metros do 'Campo do Milagre' e onde havia uma bola, havia zona de pressão. Esta era uma batalha para 'homens de barba rija'.

Mas, pela frente, estava uma equipa habituada a estas andanças, a esta pressão, a esta correria, habituado a sofrer nos estádios de 'Champions' por esta Europa fora. Mas pressionar não chega, por isso Simeone contou com João Félix para dar um toque artístico a equipa, com o português a jogar no apoio ao avançado Diego Costa, um lutador difícil para os defesas.

O 1-0 da primeira-mão no Wanda Metropolitano dava alguma vantagem aos espanhóis mas era pouco, face a uma equipa que, até um mês, parecia invencível. Mas este Liverpool já não é o mesmo. É verdade que está prestes a sagrar-se campeão inglês (tem 82 pontos em 29 jornadas, mais 25 que o Manchester City que tem menos um jogo) mas viu o Watford colocar um ponto final na sua invencibilidade na Premier League que já durava há 14 meses (44 jogos sem perder) e foi afastado da Taça de Inglaterra pelo Chelsea, por 2-0.

Mas na 'Champions' a 'cantiga' tem de ser outra e os 'reds' estavam prontos a mostrar a sua valia, mesmo tendo pela frente uma equipa que só venceu dois dos seus últimos cinco jogos no conjunto de todas as competições. Os 'colchoneros' vinham de dois empates e, na Liga espanhola, estão mesmo fora dos lugares de acesso à Liga dos Campeões (6.º lugar).

Os de Simeone acreditavam que podiam marcar a este campeão europeu na sua casa: depois de ter estado dez jogos seguidos sem sofrer golos na Liga inglesa, entre o início de dezembro e meados de fevereiro, o Liverpool sofreu sempre golos nos últimos cinco jogos que disputou.

Oblak, a 'muralha'

Entrada de 'leão' do Atlético, a ter a primeira oportunidade logo no primeiro minuto, com João Félix a isolar Diego Costa. O hispano-brasileiro perdeu terreno e rematou às malhas laterais.

Numa primeira parte intensa, de muita luta a meio-campo, era difícil encadear mais de cinco passes. E seriam 45 minutos onde Oblak iria assumir o protagonismo: aos cinco travou, com facilidade, um remate de Wijnaldum; aos 15 foi Oxlade-Chamberlain a rematar mas o esloveno estava atento e travou as intenções do internacional inglês; aos 34, novamente Oblak, agora a defender a dois tempos um remate de Mané à entrada da área; dois minutos, defesa de maior dificuldade do esloveno que defende as redes dos espanhóis, a negar as intenções de Firmino.

A pressão da equipa de Klopp surtia efeito já que a formação inglesa conseguia ganhar a bola ainda em zonas subidas e colocar em sentido a defensiva espanhola. A pressão era muita mas Felipe e Savic mostravam-se intransponíveis, principalmente pelos ares. Com tantas dificuldades para criar no solo, o ar era um espaço a explorar já que ambas as formações tinham armas muito poderosas: Felipe, aos 18, assustou Anfield.

E foi mesmo pelo ar que chegou a vantagem do Liverpool, aos 43 minutos: centro de Oxlade-Chamberlain na direita, Wijnaldum ficou para trás, junto da marca de penálti, de onde cabeceou para o fundo das redes, sem hipóteses para Oblak. Eliminatória empatada e tudo em aberto para a segunda metade da partida.

No início do segundo tempo, nada de novo: o Liverpool a pressionar muito, Oblak a defender quase tudo. Logo aos 47 defendeu um remate de Salah; aos 50 é Mané a rematar para defesa com os pés do esloveno; aos 53 é Oxlade-Chamberlain a colocar a prova o antigo guarda-redes do Benfica.

A perder, sai avançado entra médio. Diego Costa não gostou, João Félix apareceu

Em desvantagem e a ver a equipa a ser 'sufocada', Diego Simeone retirou o apagado Diego Costa do jogo (saiu muito irritado, insultado tudo e todos com palavras menos bonitas) e colocou em campo o médio Marcos Llorente, adiantando Correa no terreno. Ficava com mais um homem para pressionar, dando mais liberdade a Thomas Partey e libertando Correa no terreno.

Com muitas dificuldades em sair, o Atlético precisava de ter bola e obrigar o Liverpool a correr atrás dela. Só que os espanhóis não conseguiam chegar à baliza de Adrian (substituto de Alisson, lesionado). João Félix tentou de longe, aos 56 mas o guarda-redes espanhol defendeu com facilidade. O jovem português voltou a colocar à prova o número dois da baliza dos 'reds' aos 66, mas novamente Adrian a defender, agora a dois tempos. Saul foi mais ambicioso e tentou um golo do meio-campo mas o seu remate saiu um pouco ao lado. Seria um 'chapéu' fantástico'.

Com o jogo aproximar-se do seu fim, o Liverpool carregou ainda mais sobre a baliza 'colcochera'. Pressão intensa que deixava em delírio os adeptos presentes no Anfield Road. Roberston esteve perto do golo mas o seu remate foi devolvido pela barra aos 66 minutos. Dois minutos depois novamente Robertson a rematar, com Oblak a defender com dificuldades. Os de vermelho chegavam de todos os lados e só o esloveno mantinha os espanhóis em jogo.

Só aos 81 minutos Jurgen Klopp mexeu na equipa, trocando o Oxlade-Chamberlain pelo veterano James Milner. Aos 84, o capitão viu uma 'bicicleta' de Mané sair um pouco por cima e um remate de Salah dentro da área aos 86 a passar rente ao ferro. Sufoco infernal mas tudo empatado na eliminatória.

Marcos Llorente: do banco para a eternidade

Com o jogo a caminhar para o prolongamento, o 'coração' de Anfield parou aos 92 minutos: livre de Renan Lodi, Trippier cabeceou para o fundo das redes. Lance anulado de pronto pelo árbitro holandês Danny Makkelie, já com o banco do Atlético Madrid em campo a festejar e os corações dos adeptos do Liverpool com batidas aceleradas. O lateral inglês estava em fora-de-jogo.

Simeone trocou Trippier por Vrsaljko no início do prolongamento mas só dava Liverpool. Wijnaldum disparou aos 93 mas lá estava o homem da noite, Oblak, a negar o golo ao holandês. Só que o esloveno não podia ir a todas. Aos 94 minutos, um centro da direita de Wijnaldum encontrou a cabeça de Firmino, que atirou ao poste. A bola foi ter de novo com o brasileiro que só teve de encostar para a baliza deserta. O Liverpool estava na frente da eliminatória pela primeira vez mas...duraria dois minutos a festa dos 'reds'.

O empate no jogo chegou aos 96 minutos, num pontapé fantástico de Marcos Llorrente de fora área, muito colocado, após grande passe de João Félix.

E quem diria que a noite seria de um médio defensivo, que começou no banco? A substituição de Diego Costa por Marcos Llorente, que muitos viam como sendo defensiva, tinha mais ideia atacante do que se esperava. Depois de fazer o empate no jogo e colocar os espanhóis na frente da eliminatória, Llorente faria o 2-2 no último minuto da primeira parte do prolongamento, já com Morata em campo no lugar de João Félix. O avançado espanhol recebeu a bola, foi ganhando metros sem que ninguém o importunasse. No momento certo soltou para Marcos Llorente que esperou, esperou, até rematar forte e colocado, batendo Adrian pela segunda vez em apenas nove minutos.

Com o Atlético na frente da eliminatória, 'El Cholo' Simeone trocou o avançado Correa pelo central Giménez, enquanto Klopp refrescava o ataque com Minamino no poste de Firmino. Os 'reds' nunca desistiram na procura da vitória mas viram a sofrer o terceiro golo por Morata, homem que entrou no lugar de João Félix: o avançado recebeu de Marcos Llorente, entrou na área e rematou para o fundo das redes, com toque que classe.

Os dois finalistas da Liga dos Campeões ficam pelo caminho: o Tottenham de Mourinho, vice-campeão, eliminado pelo RB Leipzig por 4-0 no conjunto das duas mãos, o campeão Liverpool afastado pelo Atlético Madrid por 4-2 nos dois jogos. O PGS também está nos quartos-de-final, após dar a volta a derrota por 1-2 na Alemanha frente ao Dortmund (venceu por 2-0 em casa).

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