O futebolista internacional português Orlando Sá, um dos jogadores que o Standard Liège quer colocar em ‘lay-off’, disse hoje à agência Lusa ter ficado surpreendido com a medida, quando existia vontade de dialogar.

“Entendo a situação [devido à pandemia da covid-19 e paragem da competição], como a maior parte dos meus colegas, porque estaríamos dispostos a abdicar de pelo menos um mês de salário, mas o clube optou por nos mandar para ‘lay-off’. Isso surpreendeu toda a gente, de forma negativa”, explicou o avançado português.

Orlando Sá, que tem contrato com o clube belga até 2021, não considera que seja justa a medida ‘unilateral’ imposta pelo Standard Liège aos jogadores que não aceitaram a proposta, que era de mais de 90% de corte salarial, por tempo indeterminado.

Hoje, o jornal belga Le Soir dá conta da situação, explicando que os vários jogadores que chegaram a um acordo terão os salários reduzidos a 3.250 euros brutos, e os que não aceitaram, entre os quais o português, um teto máximo de 2.350 brutos em ‘lay-off’.

“É injusto. O Standard foi demasiado longe. O sistema não pode ser usado desta forma. Ou é para todos, para os treinadores, e não apenas para alguns jogadores, como um ‘castigo’ por terem recusado a proposta”, disse à agência belga Marc Leroy, do Sindicato de Jogadores.

A proposta do clube, treinado por Michel Preud’homme, que também tem cargo na direção, foi a de baixar salários dos jogadores para um teto máximo de 3.250 euros, com o remanescente destinado à Fundação do clube.

Segundo o Le Soir, o Standard defende que a verba em sobra dos salários terá como destino a Fundação do clube, para a compra de material para os hospitais de Liège, no combate à pandemia do novo coronavírus.

Com duas medidas diferentes para os jogadores, o Sindicato belga já disse que se for preciso contacta o ministro competente, considerando que os jogadores estão a ser alvos de chantagem: “nunca pensei que isto pudesse acontecer”, disse o dirigente sindical ao Le Soir.

À Lusa, Orlando Sá falou na injustiça da situação, pelo facto de os jogadores terem até proposto ao clube não serem pagos em abril, e comparou com a situação de outros emblemas da ‘Pro League’.

“Estávamos dispostos a abdicar de pelo menos um mês de salário, seria o mês de abril, tal como o Anderlecht fez e outros clubes fizeram, mas que o nosso clube rejeitou, queriam que nós abdicássemos de mais dinheiro por tempo indeterminado”, reiterou o avançado.

Também na Bélgica, no Sint-Truiden, o central português Jorge Teixeira está em conversações com a direção do clube, juntamente com o restante plantel, a fim de evitar que sejam colocados igualmente em ‘lay-off’.

“Sou um dos capitães e tivemos a iniciativa de falar com o clube”, disse à agência Lusa o defesa, que se manteve na Bélgica mesmo depois de as competições pararem, devido ao nascimento da sua filha, previsto para esta semana.

Jorge Teixeira, que tem mais uma época de contrato, até 2021, explicou que a proposta do clube ronda os cortes em 50%, algo que ainda não está acertado.

“Mas, nos cortes existentes, queríamos que fossem para os hospitais de Sint-Truiden”, disse o defesa à Lusa.

Face a crise sanitária que se vive, devido à pandemia da covid-19 e que tem exigido confinamento social em muitos países, a Bélgica parou a competição após 07 de março, a uma jornada do fim da fase regular, mas, entretanto, comunicou que vai propor em assembleia geral o final do campeonato e a classificação atual como a definitiva, o que daria o título ao Club Brugge.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 70 mil. Dos casos de infeção, mais de 240 mil são considerados curados.

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