Rui Lança

20-01-2016 19:20

As razões e desconfianças de José Peseiro

O cronista do SAPO Desporto avalia os prós e contras da escolha de José Peseiro para treinar o FC Porto.
Rui Lança

Rui Lança

Por Rui Lança sapodesporto@sapo.pt

Referenciei num grupo de amigos com quem falo sobre futebol que José Peseiro, curiosamente muito esquecido da comunicação social para o lugar de Lopetegui, seria uma boa solução. Não apenas para o FC Porto, mas também para o treinador português. Não existiam muitos treinadores com bom conhecimento da liga portuguesa, com experiência, com qualidade, de fácil integração numa equipa por causa da língua, e acima de tudo, disponibilidade para saírem facilmente do projeto onde estivessem e predispostos a arriscar o momento atual para assumirem um risco mais ou menos controlado que é treinar o FC Porto, seja em que altura for.

Peseiro aí está. Pronto para fazer o que é preciso num clube como o FC Porto: vencer. O treinador chega ao clube com quatro competições: a cinco pontos (que podem ser seis) do Sporting; um sorteio favorável até à final da Taça de Portugal; um apuramento complicado para as meias da Taça da Liga; e um sorteio pouco simpático para a Europa.

Se por um lado complica a tarefa, também lhe atribui pouca responsabilidade em tudo o que o clube conseguir se for pouco, mas muita responsabilidade se conseguir vencer algumas das competições, especialmente se for a Liga de Portugal. Esperar para ver.

E quem é este José Peseiro? O mesmo do Sporting ou do Sp. Braga? É o mesmo tipo que deixou que um jogador do Sporting após a substituição lhe mandasse para outro sítio? Não creio. É alguém talhado para a tarefa, é certo, mas a estrutura do FC Porto está em alerta e por isso vai certamente ajudá-lo na parte dos conflitos e gestões de emoções em pleno balneário do clube.

A outra questão pertinente é saber até que ponto qualquer pedra que se encontre pelo caminho irá fazer mossa. Especialmente porque saberá (até que ponto isso importará) que o treinador português não foi a primeira escolha, e se calhar nem a segunda. Nisto do futebol não há tempo para dar ao tempo e quer o treinador quer o clube sabem bem que, neste caso, é quase tudo para ontem.

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