Opinião / Rui Lança

13-12-2015 22:18

O que valem os plantéis dos grandes?

O cronista do SAPO Desporto reflete sobre as equipas de Sporting, FC Porto e Benfica ao fim do primeiro terço da Liga.
Rui Lança
Foto: Desporto

Por Rui Lança sapodesporto@sapo.pt

Temos muito o hábito de analisar o desempenho das equipas e dos jogadores como uma ‘realidade’ estagnada. Ou seja, parece que alguns dos jogadores do Sporting ou Benfica aumentaram muito a sua qualidade de um momento para o outro, ‘apenas’ porque começaram a jogar ou porque o seu treinador viu ou alterou algo que até à presente data não o tinha sido feito. Mas não, a competência esta lá (ou a falta dela) e os treinadores através de um conjunto de ações e dinâmicas, tentam retirar o melhor da individualidade e da junção de peças.

Hoje observamos o plantel dos três grandes e percebe-se que Jorge Jesus está a fazer um excelente trabalho e está a conseguir potenciar o plantel em termos individuais e coletivos do Sporting a um patamar muito elevado. E quando digo elevado, faço-o também em termos comparativos entre aquilo que possivelmente será o máximo ‘possível’ tendo em conta a qualidade individual e as competências e sinergias. Se tem ainda margem de progressão? Sim, mas não acredito que muito mais. E Jorge Jesus de modo explícito e implícito já o afirmou. E nota-se que em algumas expressões deixa escapar que essa é uma das suas preocupações!

No Porto é completamente o inverso. Apesar do Porto estar à condição de 2 pontos de distância na Liga, o que se vê não entusiasma e o treinador espanhol teima em repetir quer os mesmos caminhos quer os mesmos erros. E a grande vantagem em termos de quantidade e qualidade, é que o plantel do Porto é mais vasto em termos de quantidade de jogadores com mais experiência e maior qualidade para mais posições. Quase que dava vontade de pedir a Lopetegui para não mexer que estraga ainda mais.

No Benfica é um misto do Porto e Sporting. Um treinador que conhece bem a Liga, um dos erros de Lopetegui, mas que a encarou sempre em posições e em contextos diferentes do presente e isso faz com que tenha de existir também uma adaptação. Ao nível dos jogadores, já o tinha escrito aqui e considero que o plantel do Benfica é o mais desequilibrado dos últimos anos. O treinador tem optado por ir incluindo novas ideias e novos intervenientes de modo a colmatar aquilo que considera serem as lacunas, mas continuam a existir e as mesmas ir-se-ão notar nos meses de Janeiro e Fevereiro com os jogos da Taça da Liga e pelo menos, com os dois jogos da Liga dos Campeões.

Por último, sabe-se que a liderança de equipas e de sinergias de pessoas potencionam mais-valias e desempenhos que numa primeira observação parecia difícil e esse é também um dos desafios dos treinadores. Para já, o que se vai notando é que Jorge Jesus consegue retirar o que há de melhor no seu plantel, Lopetegui teima em querer surpreender mas quase sempre com maus resultados e que Rui Vitória encontrou aquilo que parece ser o seu caminho, mas as dinâmicas demoram tempo. Vamos esperar!

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