Opinião/Futsal

12-01-2016 20:34

Os 14 eleitos de Jorge Braz

O cronista do SAPO Desporto comenta a convocatória do selecionador Jorge Braz para o Europeu de futsal 2016.
Rodrigo Pais de Almeida
Foto: SAPO Desporto

Rodrigo Pais de Almeida

Por Rodrigo Pais de Almeida sapodesporto@sapo.pt

Sob o desígnio “Rumo à Vitória” foram esta terça-feira anunciados na sede da Federação Portuguesa de Futebol os 14 jogadores convocados pelo selecionador nacional Prof. Jorge Braz e sua equipa técnica para o Euro 2016 que se realizará na Sérvia entre os dias 2 e 13 de Fevereiro próximos.

Neste ou em qualquer grupo de eleitos pela seleção das Quinas, estaríamos sempre no pelotão da frente rumo ao sonho que todos os amantes da modalidade têm, um titulo internacional de seleções de relevo e a consagração de um lote de atletas de eleição encabeçados pelo melhor jogador do mundo da atualidade Ricardinho, título que teima em fugir mas que todos acreditam estar ao alcance de uma seleção que reúne um lote de atletas em que a experiência de uns contrasta com a irreverência e juventude de outros, mas onde a qualidade abunda e está ao nível das ambições, ser Campeão Europeu.

Para tal Portugal terá de ser um dos dois primeiros classificados do grupo A que integra juntamente com a Eslovénia e a Sérvia de forma a conseguir o apuramento para os quartos-de-final. A partir desse momento tudo poderá acontecer, e conjuntamente com Itália (campeã em titulo), Espanha e Rússia, a seleção Portuguesa é uma das grandes favoritas à conquista do troféu.

Ressalta de imediato à vista, e ao invés de outras fases finais anteriormente disputadas, a novidade que é a chamada de apenas dois guarda-redes ao lote de convocados: Bebé e Vitor Hugo. Ficam de fora da lista André Sousa, João Benedito e Cristiano que seriam os mais fortes candidatos a essa terceira vaga. Se é verdade que Bebé e Vitor Hugo dão garantia de qualidade no posto, a aposta é de risco da seleção nacional tendo em conta o elevado número de jogos (5 a contar com a final) em apenas 11 dias de competição que pode ditar castigos numa posição tão específica na modalidade.

O núcleo duro das chamadas anteriores está presente juntando-se aos incontestáveis Ricardinho e Cardinal (atletas a jogar na Inter Movistar campeã Espanhola e eleitos o melhor jogador e o melhor pivot da Liga), Bruno Coelho (Benfica), Djô, João Matos, e Pedro Cary (3 jogadores do Sporting).

Igualmente presente mas sem a mesma dose de consensualidade nos amantes da modalidade está Arnaldo Pereira, o capitão da seleção nacional. Aos 36 anos - a duas internacionalizações de somar 200 e a dois golos dos 100 - Arnaldo é considerado pela equipa técnica nacional como imprescindível pelos valores, compromisso e liderança que ocupa no grupo de trabalho, sendo que a perda de algumas das suas faculdades inerentes à idade (velocidade, intensidade e imprevisibilidade) são compensadas pela experiência e voz de comando que ainda demonstra a cada segundo em campo.

A estes, há que somar dois dos rostos da renovação em marcha neste grupo de trabalho, e que pela segunda época consecutiva se vêm revelando como dos melhores jogadores do campeonato nacional: Tiago Brito (SC Braga/AAUM) e Fábio Cecílio (Benfica). Dois jovens de 24 e 22 anos respetivamente mas que são hoje jogadores de dimensão internacional e cuja importância extravasou o âmbito do clube e foi alargado para a seleção nacional com inteira justiça.

Para completar o lote de 14 jogadores, foram chamados Paulinho e Fabinho (ambos do Sporting) e a maior surpresa (para os mais desatentos) desta convocatória: Anilton (detém apenas uma internacionalização no seu curriculum).

Se a aposta em Paulinho parece justificada pelo historial do jogador nas seleções (61 internacionalizações) e nem as sucessivas paragens por lesão limitaram as suas qualidades únicas como a velocidade de execução e de deslocamento, a chamada de Fabinho pode ter como finalidade aproveitar as dinâmicas e automatismos do jogador leonino com os seus parceiros de clube chamados (e o Sporting é no momento a equipa em melhor fase de resultados e entrosamento em Portugal), em detrimento de jogadores como Ré ou Joel Queirós (jogadores igualmente de desequilíbrio mas com muito maior relação com o golo), ou de Mário Freitas que vinha sendo opção residente nos chamados das ultimas convocatórias.

Para finalizar o lote: Anilton. Jogador com passagem pelo Benfica e Belenenses, mas que estabilizou a carreira os últimos anos na AD Fundão e onde tem sido consecutivamente o jogador mais influente, e que voltou a culminar esse estatuto na recente Taça da Liga (conquistada pela equipa do Sporting) onde, a meu ver, se pautou como melhor jogador da competição. Um jogador rápido, imprevisível e com um poder de finalização que muito poderá acrescentar à equipa, e que será mais um rosto rumo à renovação que se exige e que paulatinamente vem sendo feita com sucesso pelo Prof. Jorge Braz e seu pares.

A presença de apenas dois guarda redes, e de apenas um pivot - apesar da presença de Ricardinho e Cardinal, Ré e Joel Queirós são elementos com “faro” de golo nas suas equipas atributo que rareia em Portugal - podem ser fatores de risco para a seleção nacional, mas são com certeza fatores pesados, calibrados e que serão suplantados caso alguma impossibilidade de utilização surja.

Com todos disponíveis, com todos focados no mesmo objetivo, e com o espírito guerreiro de sempre, a pontinha de sorte que nos tem faltado irá surgir, e pode ser desta que Portugal tem o que merece numa modalidade em crescendo e que vem conquistando os adeptos ao vivo e na televisão, e que é hoje em dia a modalidade de pavilhão mais praticada em Portugal.

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